quarta-feira, 5 de julho de 2023
Conhecendo os deuses da mitologia indígena brasileira
Muito se fala sobre a mitologia grega, nórdica e até mesmo dos povos andinos, como os maias, incas e astecas. Mas o que poucas pessoas conhecem é a cultura que existe por detrás da história dos nossos próprios conterrâneos, os povos indígenas brasileiros, com suas tradições, línguas, reivindicações e saberes.
Além dos Tupis e dos Guaranis, os Ianomâmis, Araras e dezenas de outros povos também carregam uma profunda ligação com as forças da natureza, que estão ligadas às suas crenças em divindades cultuadas desde os primórdios dessas civilizações. Tal legado permanece vivo até hoje dentre os mais de 450 mil indígenas que vivem no Brasil. Vale a pena conhecer um pouquinho dessas importantes entidades e o que elas representam dentro do universo que com elas resiste!
Tupã
Criador dos céus, da terra e dos mares, o grande “Espírito do Trovão”, como é conhecido por boa parte dos povos, foi quem deu origem à vida. Além de ensinar às criaturas humanas o fazer da agricultura, do artesanato e da caça, Tupã concedeu aos pajés todo o conhecimento sobre as plantas, ervas medicinais e rituais de cura.
Jaci
Filha de Tupã, Jaci é a deusa da lua e guardiã da noite. Responsável pela reprodução, ela tem o dom de despertar as saudades no coração dos caçadores e guerreiros para que voltem sempre ao colo de suas esposas e cuidem de suas famílias.
Guaraci
Irmão e marido de Jaci, Guaraci é o deus do Sol, guardião do dia que auxiliou o pai Tupã a criar todos os seres vivos. Existe um ritual no qual as mulheres rezam para os seus companheiros que saem para caçar na passagem do dia para a noite, que seria o momento em que Jaci e Guaraci se encontram para abençoar essa união.
Ceuci
Deusa das moradias e das lavouras, Ceuci é quem protege e acolhe os frutos da nossa terra. É muito comparada à Virgem Maria, da religião católica.
Anhangá
Inimigo de Tupã, Anhangá é o protetor dos animais e dos caçadores. Embora tenha esse significado, é associado ao mal e a tudo o que vem das regiões infernais. Acreditam que seu espírito vaga solto, tomando a forma de animais selvagens e trazendo má sorte para quem com ele se depara.
Sumé
Deus das leis e das regras, Sumé foi quem ensinou aos índios os saberes sobre como cozinhar a mandioca e utilizá-la no cotidiano como um importante fruto que a terra deu.
Akuanduba
Figura característica da tribo dos Araras, esse Deus é famoso por tocar sua flauta para trazer ordem ao mundo. Dizem que certa vez ele jogou uma tribo inteira para dentro do mar para ver se aprendiam as virtudes da obediência. Ela sobreviveu e deu um novo rumo para as sua existência.
Yorixiriamori
Famoso pelo seu canto que enfeitiçava todas as mulheres, Yorixiamori acabou despertando a inveja de muitos homens, que tentaram persegui-lo e matá-lo a qualquer custo, já que o enxergavam como uma ameaça. Diz a lenda que ele fugiu sob a forma de um pássaro e é muito conhecido, principalmente pela cultura Ianomâmi.
Yebá Bëló
Para os índios Dessanas, Yebá Bëló é quem teria sido a responsável pela criação do universo. Foi a “mulher que apareceu do nada” e de dentro de sua morada de quartzo foi capaz de dar a vida aos seres humanos com uma simples folha de coca que ela mascava diariamente. Há quem diga que enquanto ela pitava, um ser de fumaça surgiu e foi nomeado como Yebá Ngoamãn. Ela lhe deu um bastão de chocalho com sementes masculinas e femininas e o elevou até a torre do grande morcego. Lá de cima, o bastão assumiu um rosto humano, que mais tarde se transformou no Sol.
Wanadi
Deus dos povos Iecuanas, essa figura faz parte de um mito que dizia que o Sol teria criado primeiramente três seres vivos para habitar o planeta. Apenas Wanadi nasceu perfeito, enquanto os seus outros irmãos teriam chegado com deformidades, que representam os males presentes na Terra (fome, doenças e mortes).
Guerras indígenas no Brasil Colônia
É de conhecimento de todos que quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil havia nativos morando e vivendo nestas terras. O que poucos sabem é que o nome índio, dado aos nativos, se refere ao fato de que quando Cristóvão Colombo chegou na América, ele acreditou que havia chegado às Índias; logo, quem aqui já vivia eram os índios. E também é uma nomenclatura genérica já que remete a ideia de que a população nativa que aqui se encontrava homogênea, ou seja, tinha a mesma cultura, os mesmos costumes, ideia totalmente equivocada como foi estudado pelos historiadores. Apesar de algumas semelhanças entre elas, havia muito diferença entre as diversas tribos. Pode-se dizer que essas diferenças geravam conflitos entre os índios. A título de estudo, a população ameríndia foi dividida em dois grandes grupos: os tupis-guaranis que viviam no litoral brasileiro; e os tapuias, que viviam no interior entre a Bahia e o Maranhão.
Importante ressaltar que há também a ideia errônea de que a relação entre europeus e índios se baseava apenas na mão de obra para a exploração do pau-brasil. Não só as mortes de milhares de nativos por conta de doenças trazidas pelos europeus fazem parte dessa relação.
Estudos mostram que alianças foram feitas entre portugueses e outros europeus, como os franceses, e determinadas tribos indígenas. Essas alianças eram fundamentais para a conquista e colonização de um território tão hostil. Só assim foi possível colonizar o território brasileiro. Vê-se também que a guerra e os conflitos eram práticas recorrentes entre tribos por conta da diversidade de culturas disputando territórios. Com a finalidade também de acabarem com seus inimigos, algumas tribos se aliavam aos portugueses e, assim, estes conseguiam indígenas para trabalharem.
Exemplo importante dessas alianças foi a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. Os franceses, com apoio dos Tamoios haviam invadido a região e os portugueses, com a ajuda dos índios Temiminós, conseguiram expulsá-los. “Pacificar os Tamoios e acabar de vez com a presença dos franceses constituía o grande plano cuja solução não deveria tardar.” (SERRÃO, 1965). Historiadores afirmam que os Tamoios eram em maior número que os Temiminós, tornando o exército francês um inimigo difícil de combater. Os combates levaram alguns anos até a expulsão total dos franceses em 1567. Como recompensa pela luta, os portugueses concederam aos Temiminós uma sesmaria que veio a se tornar Niterói.
No século XVIII ocorre a Guerra Guaranítica, no sul do Brasil, onde os índios lutaram contra os espanhóis e portugueses, se recusando a mudar de território. Ocorreram outras guerras no nordeste como no século XVI, quando o governo-geral da Bahia declarou guerra aos Tupinambás e constituíram sólida aliança com os Tupiniquins, conseguindo, assim, forte proteção territorial contra invasões com, pode-se dizer, um exército praticamente indígena.
Portanto, se pode concluir que ocorreram muitas batalhas e guerras tanto entre tribos quanto entre nativos e europeus.
Referências Bibliográficas:
*SERRÃO, Joaquim Veríssimo. O Rio de Janeiro no século XVI, Estudos Históricos, v.1, Edição da Comissão, 1965.
AMORIN, Bruno Abrantes. Temiminós e Lusitanos na Conquista da Guanabara. ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005.
FREIRE, Carlos Augusto da Rocha; OLIVEIRA, João Pacheco de. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília, novembro de 2006.
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/historia/guerras-indigenas-no-brasil-colonia/
Baby do Brasil - Todo Dia Era Dia De Índio (DVD)
Apresentação da música "Todo Dia Era Dia De Índio" para a gravação do DVD Baby Sucessos.
MAI o que é ?
SOBRE O MAI
Museu de Arte Indígena – MAI foi inaugurado em 16/11/2016 no bairro Água Verde, em Curitiba, no Paraná. É o primeiro museu particular do Brasil dedicado exclusivamente à produção artística dos indígenas brasileiros, e conta com um dos maiores acervos do mundo nesta área. São cerca de 700 peças divididas entre arte plumária, cerâmica, cestas, instrumentos musicais, máscaras ritualísticas e objetos utilitários.
O MAI nasceu em Clevelândia (PR), em 2009, com o objetivo de resgatar e preservar a cultura indígena brasileira. A qualidade de seu acervo e os cuidados constantes na manutenção e conservação das peças permite aos visitantes uma verdadeira imersão cultural.
Não perca a oportunidade de conhecer o MAI.
https://maimuseu.com.br/
Mara Maravilha - Curumim Iê Iê música original
Clip do LP Curumim lançado em 1991
Arte e Indígena
Você conhece a arte indígena? Já usou cocares nas escolas na semana do índio, em abril? E você sabia que esse assunto aparece no Enem e nas provas de vestibular?
Como esse tema é recorrente nas questões, o Estratégia Vestibulares preparou um resumo com os principais pontos sobre a arte indígena: pintura corporal, cocar, cerâmica, urnas funerárias, entre outros aspectos. Confira!
Navegue pelo conteúdo
Como é a a Arte Indígena?
Principais Manifestações da Arte Indígena
Questões resolvidas sobre arte indígena
Como é a a Arte Indígena?
A arte indígena é um conjunto de comportamentos socioculturais que geram objetos e materiais fundamentais para a compreensão desses povos pelo mundo ocidentalizado. Por outro lado, a pluralidade de tribos e etnias nativas nos permite dizer que existem diversas formas de artes indígenas.
Ao mesmo tempo, é importante notar que a criação da arte não acontece de forma intencionada como o no padrão europeu ocidental da sociedade. As chamadas artes indígenas se constroem como parte do cotidiano, do ritual e da realidade desses povos.
Desse modo, é preciso que se entenda a diferença entre:
criar um objeto visando a sua beleza — como é conhecido o ramo artístico;
produzir uma peça artesanal para fins ritualísticos e simbólicos — como acontece na realidade indígena.
Portanto, no decorrer desse texto, tenha em mente que o conceito de “arte” é adicionado pela sociedade moderna, que admira as criações nativas. Mas todo o processo de formação das obras indígenas trata-se de uma manifestação cultural pura e não um talento montado para a exibição em museus e galerias.
Principais Manifestações da Arte Indígena
As artes indígenas são diversas e plurais, de forma que abrangem a pintura corporal, a criação de cocares, a representatividade das cerâmicas funerárias e os rituais dançantes, por exemplo.
Pintura Corporal
Sempre que abordamos assuntos como a cultura indígena ou a comemoração do dia do Índio (19 de abril), a imagem de pessoas com os rostos pintados é retomada e marcada com um símbolo para os brasileiros nativos.
É importante saber que a pintura corporal é parte significativa da identidade tribal indígena.
Nesse contexto, é importante notar que cada grupo define um tipo específico de tingimento e tonalidade para representar suas habilidades, forças, crenças, hierarquias, entre outros aspectos.
Para realizar a coloração, os elementos tonalizantes são retirados de plantas nativas como o jenipapo, o urucum e a tabatinga. A combinação das cores e desenhos traz significado simbólico, ritualístico e étnico para cada corpo, conforme padrões históricos e ancestrais que se estabelecem em cada tribo.
Arte Plumária: Cocar
Arte indígena plumária
Outro item que sempre é lembrado para a cultura indígena é o cocar, construído a partir da arte plumária (com plumas de animais). Esses ornamentos são montados com penas de diferentes cores, além de muito belo e chamativo, traz representações diferentes em meio a realidade de cada tribo.
Geralmente, os cocares são utilizados em lutas tradicionais ou momentos festivos do grupo étnico em questão. Ela também marca as diferenças hierárquicas em meio aos povos de um território: os plumares mais decorados e vistosos marcam a personalidade e autoridade do cacique, nome dado ao chefe mais antigo da tribo.
Cerâmica e Urnas Funerárias
A cerâmica indígena é um tipo de arte simbólica, porque além de utensílios para o cotidiano, muitos dos elementos eram utilizados para a preservação da memória ancestral. Para isso, após a morte dos membros de maior reconhecimento tribal, os corpos eram guardados em urnas artesanais de cerâmica.
A tribo mais conhecida nesse ramo artístico são os Marajós, que se situam na região amazônica. Geralmente, as mulheres são responsáveis pela coleta, preparação, moldagem, secagem e decoração do barro.
Veja, na foto a seguir, um tipo de construção cerâmica indígena, que se encontra no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo:
Cerâmica - arte indígena
Dança Indígena
A dança indígena é parte do cotidiano da maioria das etnias. São movimentos corporais coordenados que servem para momentos ritualísticos, festivos, fúnebres e principalmente, espirituais.
Você já deve ter ouvido falar na famosa “dança da chuva”. Ainda que banalizado, esse termo demonstra que as danças possuem objetivos, sejam eles: a entrada na vida adulta, o pedir ou agradecer pelas colheitas, o expulsar de energias ruins e outras finalidades.
Questões resolvidas sobre arte indígena
Para treinar seu conhecimento a respeito da cultura artística indígena, responda a questão abaixo e confira a resolução proposta pelo Estratégia Vestibulares.
ENEM 2009
A dança é importante para o índio preparar o corpo e a garganta e significa energia para o corpo, que fica robusto. Na aldeia, para preparo físico, dançamos desde cinco horas da manhã até seis horas da tarde, passa-se o dia inteiro dançando quando os padrinhos planejam a dança dos adolescentes. O padrinho é como um professor, um preparador físico dos adolescentes. Por exemplo, o padrinho sonha com um determinado canto e planeja para todos entoarem. Todos os tipos de dança vêm dos primeiros xavantes: Wamarĩdzadadzeiwawẽ, Butséwawẽ, Tseretomodzatsewawẽ, que foram descobrindo através da sabedoria como iria ser a cultura Xavante. Até hoje existe essa cultura, essa celebração. Quando o adolescente fura a orelha é obrigatório ele dançar toda a noite, tem de acordar meia-noite para dançar e cantar, é obrigatório, eles vão chamando um ao outro com um grito especial.
WÉRÉ’ É TSI’RÓBÓ, E. A dança e o canto-celebração da existência xavante. VIS-Revista do Programa de Pós-Graduação em Arte da UnB. V. 5, n. 2, dez. 2006.
A partir das informações sobre a dança Xavante, conclui- se que o valor da diversidade artística e da tradição cultural apresentados originam-se da
a) iniciativa individual do indígena para a prática da dança e do canto.
b) excelente forma física apresentada pelo povo Xavante.
c) multiculturalidade presente na sua manifestação cênica.
d) inexistência de um planejamento da estética da dança, caracterizada pelo ineditismo.
e) de uma identidade entre a gestualidade ancestral e a novidade dos cantos a serem entoados.
Conforme aponta o texto da questão, a ancestralidade é um fator relevante para a dança Xavante: “Todos os tipos de dança vêm dos primeiros xavantes […] Até hoje existe essa cultura, essa celebração.”
Além disso, essa manifestação artística se realiza em grupos, de maneira ritualística e ordenada. Constatadas essas afirmações, a única alternativa aceitável é a letra E, que versa sobre a ancestralidade e as canções referidas no trecho.
A arte indígena
A arte indígena é muito rica, composta por diversos elementos carregados de simbologias antigas e sabedorias sagradas recebidas de seus antepassados. As produções indígenas mais comuns à maioria das etnias brasileiras são: cerâmica, pintura corporal, máscaras, cestaria e arte plumária.
Arte indígena brasileira
A arte indígena brasileira é composta por tudo que é produzido pelas etnias indígenas do país e representa a cultura e a tradição desses povos. É um elemento cultural fundamental, produzido por tradição e preservação da cultura.
A conservação da arte indígena é uma forma de manter vivas as tradições culturais das diversas etnias indígenas brasileiras, que já produziam sua arte antes mesmo da chegada da colonização portuguesa ao país.
A arte indígena é muito rica, composta por diversos elementos carregados de simbologias antigas e sabedorias sagradas recebidas de seus antepassados.
As produções indígenas mais comuns à maioria das etnias brasileiras são: cerâmica, pintura corporal, máscaras, cestaria e arte plumária. Objetos decorativos e utilitários, adornos, acessórios, armas e instrumentos musicais também fazem parte da arte produzida pelos povos indígenas.
Cerâmica
A cerâmica é usada de muitas formas na cultura e na arte da maioria das tribos indígenas: para fabricação de objetos e utensílios ou como decoração.
A cerâmica é um dos materiais mais utilizados pelos indígenas, provavelmente devido à versatilidade do material. É utilizado na confecção de diversas utilidades domésticas, tais como jarros, panelas e vasilhas para armazenamento de alimentos.
O material é produzido pelos indígenas - quase sempre pelas mulheres - a partir de uma mistura feita de barro e de outros insumos naturais. Depois de prontos, os objetos são aquecidos para que se tornem mais resistentes.
Cerâmica Marajoara
A cerâmica Marajoara é produzida pelos indígenas que habitavam inicialmente a Ilha de Marajó, região do Rio Amazonas, no estado do Pará.
É considerada uma das produções de cerâmica mais antigas do país e ainda hoje os indígenas desta região mantêm a cultura da produção da cerâmica Marajoara.
As lutas dos povos indígenas
As lutas dos povos indígenas
Depois de tornarem-se escravos da colônia portuguesa, os povos indígenas passaram a enfrentar diversas lutas em torno da própria sobrevivência.
Com o extermínio de povos indígenas e a escravidão, milhares de famílias e indivíduos afugentados se refugiaram em áreas remotas, evitando o contato com pessoas não indígenas.
Sendo assim, esses povos perderam acesso e direito às próprias terras, sem a possibilidade de cultivar alimentos ou ter acesso a rios para pescar, já que as grandes cidades iniciaram suas atividades em torno das águas.
Daí em diante, os enfrentamentos às invasões, às queimadas, aos grileiros, à fome e à discriminação, tornou-se uma árdua rotina dos povos indígenas.
Crimes contra os povos indígenas
Em 1967, Jader Figueiredo, um procurador federal, publicou um relatório de 7.000 páginas que catalogou milhares de atrocidades e crimes cometidos contra os povos indígenas, incluindo assassinatos, escravidão e roubos de terra.
Em um caso notório conhecido como “o massacre do paralelo 11”, um barão da borracha ordenou que seus homens arremessassem dinamite em uma aldeia indígena do povo Cinta Larga. Aqueles que sobreviveram ao ataque foram assassinados por seringueiros que os atacaram com facões.
O relatório estampou manchetes internacionais e levou à dissolução do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). O SPI foi então substituído pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão que continua a ser o departamento de assuntos indígenas do governo.
Entre 1970 e 1980, uma nova onda de construção de hidrelétricas e estradas e o desenvolvimento de atividades de pecuária e mineração causou a morte de milhares de indígenas, além de deixar sem terra outros tantos. Dezenas de povos indígenas foram aniquilados neste período.
Com a nova constituição redigida em 1988, os indígenas e seus apoiadores fizeram pressão por mais direitos. Desde então, eles têm conseguido muitos avanços, ainda que não tenham acesso aos direitos territoriais que têm garantidos na Constituição e na lei internacional.
Cenário atual dos povos indígenas
Muito ainda precisa ser feito para amenizar as lutas dos povos indígenas no Brasil. Os direitos dos povos indígenas ainda são desrespeitados e ignorados pelas forças do Estado. O que abre margem para grandes indústrias hidrelétricas, de mineração e do agronegócio explorarem terras que não as pertencem, reduzindo ainda mais as possibilidades de moradia e alimentação de milhares de indígenas.
Para além dos desafios territoriais, os povos indígenas enfrentam, ainda nos dias de hoje, problemas com racismo, preconceito, violação aos direitos das mulheres indígenas, falta de acesso à saúde e serviços públicos, além da alimentação escassa e pobre em nutrientes.
Desafios que se agravaram durante a pandemia do coronavírus. O que tirou a vida de milhares de indígenas e colocou em risco tantas outros que, em lugares remotos e sem acesso à saúde, se viram sem apoio do Estado, o qual vem tomando medidas ineficazes nos combate à proliferação do vírus nos territórios indígenas.
Os próprios indígenas se mobilizam nas esferas políticas e sociais, em busca de amenizar um sofrimento que se estende por meio milênio, somado ao novo desafio: o coronavírus. O Fundo Brasil apoia projetos liderados pelos próprios povos indígenas em busca de seus direitos garantidos na Constituição.
Povos Indígenas: história, cultura e lutas
Povos Indígenas: história, cultura e lutas
Segundo o último Censo, realizado pelo IBGE em 2010, o Brasil é habitado por cerca de 818 mil indígenas, distribuídos por 827 municípios. Um número que se assemelha à população de grandes capitais ao redor do mundo. E, ainda assim, representando boa parcela dos cidadãos brasileiros, os povos indígenas enfrentam lutas antigas, que têm sua origem na colonização do país.
Ao contrário do imaginário popular e do que os livros didáticos contavam, não houve uma descoberta do Brasil, por meio dos portugueses. Segundo dados da Funai (Fundação Nacional do Índio), antes da invasão dos europeus, o território Pindorama era morada de cerca de 3 milhões de habitantes nativos, posteriormente chamados de indígenas, em referência às Índias, local ao qual os portugueses acreditavam ter chegado.
É muito comum que se resuma a história dos povos indígenas brasileiros a partir da colonização portuguesa. De fato, esse acontecimento é um marco na trajetória dos povos indígenas, pois a partir disso, inicia a luta pelas terras, por sobrevivência e por direitos básicos que perdura até os dias de hoje, somando 521 anos de resistência.
No entanto, conhecer as origens dos povos indígenas é igualmente importante, para garantir o respeito, a defesa e o reconhecimento da cidadania de um povo que, sem prévio aviso, perdeu terras, alimentos, liberdade e vidas.
Nesse artigo, você poderá conhecer a história e cultura e as lutas dos povos indígenas. Acompanhe:
História dos Povos Indígenas
Sobre a origem dos indígenas brasileiros, existem duas hipóteses aceitas pela, segundo o Instituto Socioambiental (ISA). A primeira é de que os indígenas descendem dos povos asiáticos que atravessaram o estreito de Bering há 62 mil anos.
A segunda, defende uma única grande onda migratória no começo, com a vinda posterior de grupos aparentados aos povos da Oceania. Os levantamentos estão na “Science” e na “Nature”, as duas maiores revistas científicas do mundo, e ambas têm participação de brasileiros.
Estudos arqueológicos recentes estabelecem a chegada dos primeiros habitantes do Brasil à Bahia e ao Piauí, entre 20 e 40 mil anos atrás.
Estabelecidos nas terras que ofereciam fertilidade, os nativos passaram a viver em regime de comunidade, onde prevalecia a produção comunitária. Sendo que os trabalhos eram divididos de acordo com sexo e idade.
Eles eram produtores de milho, feijão, mandioca, cará, batata-doce, abóbora e tabaco. Além disso, parte da alimentação vinha da pesca.
Entre os grupos indígenas havia muitas formas de conceber e construir as casas, pois cada grupo tinha um jeito diferente de pensar e de se relacionar com o ambiente onde viviam. Assim, os tipos de casas eram uma das principais características dos povos indígenas.
Ainda segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a maneira como a casa era utilizada, dividida e construída refletia o jeito que os moradores tinham de organizar e se enxergar no mundo. Além disso, as construções variavam de acordo com o modo de vida, o clima, o tipo de ambiente e os materiais de que os grupos dispunham para a construção.
As formas das casas poderiam ser circulares, retangulares, pentagonais, ovais. Feitas de matérias primas diferentes: madeira com teto de palha, inteiras em palha ou folhas.
Todas essas práticas perduraram por anos, geração após geração, sem sofrer influências externas.
Os diferentes povos tinham liberdade de seguir seus próprios costumes, a começar pela língua. Existiam vários troncos linguísticos, como o Tupi ou Macro-Tupi, Macro-Jê e Aruak.
Invasão portuguesa
Em 1500, os portugueses desembarcaram no “Novo Mundo”, a América, tomando posse das terras. Em seguida, tiveram os primeiros contatos com os nativos, designados pelos portugueses de “selvagens” e, posteriormente, indígenas. Havia cerca de 3 milhões de nativos, divididos em 1.000 povos diferentes.
Alguns historiadores chamaram o primeiro contato entre portugueses e os povos indígenas de “encontro de culturas”, como uma tentativa – equivocada – de amenizar as péssimas relações que foram mantidas, desde o começo.
Na realidade, desde o início do processo de colonização portuguesa houve “desencontro de culturas”, que correspondeu a um processo de extermínio e submissão dos indígenas – tanto por meio dos conflitos com os portugueses quanto pelas doenças trazidas por estes, como a gripe, a tuberculose e a sífilis.
Desde então, a história dos povos indígenas é marcada pela brutalidade, escravidão, violência, doenças e genocídio.
Extermínio dos povos indígenas
No primeiro século de contato, 90% dos indígenas foram exterminados, principalmente por meio de doenças trazidas pelos colonizadores, como a gripe, o sarampo e a varíola. Nos séculos seguintes, milhares de vítimas morreram ou foram escravizadas nas plantações de cana-de-açúcar e na extração de minérios e borracha.
Em cinco séculos, 700 das 1.200 nações indígenas foram exterminadas. Segundo pesquisas do antropólogo Darcy Ribeiro, 55 povos desapareceram somente na primeira metade do século 20.
Na década de 1950, a população tinha caído para um número tão baixo que foi previsto que nenhum indígena sobreviveria até o ano de 1980. Estima-se que, em média, um povo se tornou extinto a cada ano entre 1900 e 1957.
Indígenas
Povos indígenas do Brasil
Povos indígenas são o grupo que já habitava o Brasil antes da chegada dos europeus. Atualmente, existem cerca de 800 mil indígenas habitando o território brasileiro.
"Os povos indígenas são os habitantes originários do território brasileiro e estavam presentes aqui antes da chegada dos europeus, no final do século XV. Existe uma grande diversidade de povos indígenas no Brasil, e a população de índios, segundo critérios do Censo de 2010, é de aproximadamente 817 mil."
"Resumo sobre povos indígenas
Os índios são o grupo de pessoas reconhecidas como descendentes dos povos que habitavam o Brasil antes da chegada dos europeus.
Na época da chegada dos europeus, havia de cinco a sete milhões de índios no Brasil.
Atualmente, a população de índios é de 817 mil, segundo dados do Censo de 2010.
Há uma grande diversidade de povos indígenas no Brasil, e entre os maiores grupos estão os ianomâmis, os guajajaras e os guaranis, por exemplo."
Veja mais sobre "Povos indígenas do Brasil" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-indigena-no-brasil.htm
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